28 de junho de 2013

BIBLIOTECA FICÇÃO CIENTÍFICA

BIBLIOTECA ESSENCIAL DE FICÇÃO CIENTÍFICA E FANTASIA (110)

 
Volume110 — The Snow Queen (1980) de Joan D. Vinge
John Carol Dennison Vinge (1948), natural de Baltimore (EUA), deixou a profissão de antropóloga para se dedicar à literatura fantástica e de Ficção Científica.
Escreveu a sua primeira novela, The Outcasts of Haeven Belt em 1978 e obteve o seu primeiro Hugo Award com o conto Eyes of Ambar.
 
The Snow Queen é, não só o segundo Hugo obtido, como o seu melhor romance e o consagrado prémio Locus.
The Snow Queen… lugar e tempo imaginários…
uma história de amor e poder. Uma rainha que não se resigna a morrer, Arienrhod, reinando durante cento e cinquenta anos sobre Tiamat, viola as leis do Império com o objectivo da fazer perdurar o seu reinado que, de outro modo chegaria ao fim com o fim da sua vida. Ligados à existência de Tiamat, em mais do que um sentido, estão os mers, animais marinhos inteligentes…
 
 


Ficha Técnica
A Rainha do Gelo
Autor: Joan D. Vinge
Tradução: Mª Luísa Ferreira da Costa
Ano da Edição: 1983
Editora: Publicações Europa América
Colecção: Livros de Bolso – Série Ficção Científica Nº51 e Nº52

 

26 de junho de 2013


LIVROS - NOVIDADES

LANÇAMENTO AMANHÃ
 

 
 
 
A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert
27 de Junho de 2013
 
Sinopse
Verão de 1975, Aurora.Nola Kellergan, uma jovem de 15 anos, desaparece misteriosamente da pequena vila costeira de Nova Inglaterra. As investigações da polícia nada descobrem.
Primavera de 2008, Nova Iorque.Marcus Goldman, jovem escritor, vive atormentado com uma crise de página em branco, depois de o seu primeiro romance ter tido um sucesso inesperado. Sente-se incapaz de escrever, e o prazo para entregar o novo romance expirará dentro de poucos meses.
Junho de 2008, Aurora. Harry Quebert, professor universitário e um dos escritores mais respeitados do país, é preso e acusado de assassinar Nola Kellergan, depois de o cadáver da rapariga ser descoberto no seu jardim. Alguns meses antes, Marcus, amigo e discípulo de Harry, descobrira que o professor vivera um romance com Nola, pouco tempo antes do desaparecimento da jovem.
Convencido da inocência de Harry, Marcus abandona tudo e parte para Aurora para conduzir a sua própria investigação. O objectivo é salvar a sua carreira, escrevendo um livro sobre o caso mais quente do ano, e dar resposta à incógnita que inquieta toda a América: Quem matou Nola Kellergan?

 
Crítica
“Toda a gente falava do livro. Esta é a primeira frase do romance A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert: uma profecia que se cumpriu, pois o livro de Joël Dicker já se transformou num fenómeno mundial.” Le Monde
 
“Chega o fenómeno Dicker... Um livro que se quer ler de uma assentada e que será o romance do Verão. Terrivelmente viciante.” La Vanguardia

 “O romance de Joel Dicker pertence a esse género de literatura que gera literatura, ou seja, que convida a continuar a inventar romances. A sua simplicidade, singeleza ou facilidade são apenas aparentes, e é precisamente disso que trata o caso Quebert: da tendência humana para simular, fingir e mentir.” Babelia (suplemento cultural do El Pais)

“Uma vénia ao jovem suíço que escreveu o primeiro romance ilustrado sem ilustrações e que o tornou completamente interactivo. Um romance que, além disso, funciona de uma maneira clássica, analógica, apenas com a memória.” El Mundo

 “Este romance será aplaudido e estudado nas aulas de escrita. Um thriller exemplar, com o engenho de Larsson. Leia este livro.”  El Periódico de Catalunya
 
 
   

LIVROS - NOVIDADES



Sorte Explosiva
Janet Evanovich — Editora TopSeller
Junho 2013
 
Sinopse
A vida da caçadora de recompensas, Stephanie Plum, está em sérias dificuldades neste novo romance explosivo de Janet Evanovich.
Antes sequer de Stephanie conseguir sair do seu voo 127 do Hawai para Newark, já ela se encontra em grandes sarilhos. As suas férias de sonho foram transformadas num pesadelo e está de regresso a New Jersey sozinha. Para piorar, o seu companheiro de viagem nunca regressou ao avião depois da escala em Los Angeles. E agora ele está morto, e todos, criminosos, psicopatas, já para não falar no FBI, estão à procura de uma fotografia que ele supostamente trazia consigo.
Apenas uma pessoa viu essa foto: Stephanie Plum. E agora, ela é um alvo a abater. Um especialista de desenho no FBI ajuda-a a reconstituir a pessoa na fotografia, mas as capacidades descritivas de Stephanie não são as melhores. Enquanto não conseguir melhorá-las, ela tem de ter cuidado.
 
 

LIVROS - NOVIDADES



No Canto Mais Escuro
Elizabeth Haynes Editorial Presença (Clicar)
Colecção Minutos Contados
Junho 2013

Bestseller do New York Times
 
Sinopse
No Canto mais Escuro é um thriller psicológico soberbo, a história arrepiante de Catherine Bailey, uma jovem independente e bem-sucedida, que se deixa envolver numa relação amorosa abusiva que se vai pervertendo ao ponto de colocar a sua própria vida em risco. Num jogo psicológico extremamente artificioso e doentio, Lee Brightman, um homem lindo e carismático, vai seduzindo e dominando Catherine. Com uma estrutura narrativa inteligente, a autora dá-nos a conhecer o antes e o depois, a forma como uma relação deste tipo pode transformar uma mulher alegre e confiante numa mulher destroçada, subjugada por um medo constante.
Um romance de estreia que arrebatou público e crítica e recebeu os prémios Amazon Best Book of the Year 2011 e Amazon Rising Stars 2011.
 
 

23 de junho de 2013

LIVRO DE M. CONSTANTINO






In Memórias de Desafios Intelectuais

Regista o Grande Dicionário da Língua Portuguesa, de Morais da Silva, que PROBLEMA é a “questão proposta para se lhe obter solução”, conceito que, na simplicidade de uma única frase se ajusta inteiramente à intenção. Mais adiante, e no mesmo dicionário, manancial de sabedoria, indica para ENIGMA “a descrição de uma coisa por particularidades ou pelas qualidades que lhe são próprias, mas propositadamente de modo que se torne difícil identificar do que se trata”. O mistério que advém deste problema ou enigma é um desafio ao espírito investigante do solucionista, vivificante, vitalizando elementos intelectuais, ante o labirinto ardiloso, armadilhado pacificamente, edifício de chaves incomuns nas sólidas portas. Todas as armas e bagagens são possíveis, da simples dedução/indução aos complexos indícios do saber humano. É um desafio à inteligência que excita e motiva a curiosidade.
Na fascinação e emoção do apelo à solução existe um duelo de inteligência astuciosa para vencer outra inteligência, igualmente astuciosa - o autor do enigma.
É certo que não existem normas fixas nos problemas ou enigmas policiários, antes se concretizam pela livre representação de ideias, factos, significados clássicos ou ao encontro de novas imagens e enredos originais. Todavia, não se pode falar em policiário ou policial, sem a ligação a algo relativo ou afecto à polícia, regra geral um delito, um mistério que requer a intervenção de um investigador oficial ou particular de características e métodos afins, já que é imprescindível afastá-los da vasta gama dos enigmas charadísticos. Qual é a diferença determinante entre as espécies? Ambos são um desafio evidente, mas o enigma charadístico não passa de um passatempo reforçado na pesquisa da cultura geral; no policiário, para além da recriação, desenvolve-se num problema (um em outro!) pessoal do solucionista, que assume a luta repressiva do ilícito - ainda que imaginado - apossa-se da investigação, recorre às regras policiais, raciocina, tira conclusões intuitivas baseadas em circunstâncias complicadas extraídas do texto, dos erros que aí se cometem e levam ao esclarecimento ou impunidade do crime.

22 de junho de 2013

BIBLIOTECA FICÇÃO CIENTÍFICA

BIBLIOTECA ESSENCIAL DE FICÇÃO CIENTÍFICA E FANTASIA (109)
Volume109 — Timescape (1980) de Gregory Benford
(é o 2º livro do escritor incluído na Biblioteca, para informações sobre o autor e 1º livro clicar AQUI)
Timesacape é uma reviravolta na temática preferida de Benford, explora os tempos alternativos e ecologia.
Movimenta-se entre Inglaterra de 1998 e os Estados Unidos de 1962-63 a 1990, em que o mundo está no ocaso face à contaminação ambiental.
A superfície dos mares cobre-se de flores que matam a vida marítima e contaminam a Terra … é necessário enviar uma mensagem ao passado para evitar aquele futuro em perspectiva.
Em 1980 o livro recebe o Nebula e o Prémio da British Science Fiction; em 1981 é distinguido com o Campbell.~
 
 

20 de junho de 2013

LIVROS - NOVIDADES

 
 
 
Aurora Boreal
Ǻsa Larsson —  Booklet
Reedição 2013
 
Sinopse
O corpo de Viktor Strandgård, o pregador mais famoso da Suécia, jaz mutilado numa remota igreja de Kiruna, uma cidade do Norte submersa na eterna noite polar. A irmã da vítima encontrou o cadáver, e a sombra da suspeita paira sobre ela. Desesperada, pede ajuda à sua amiga de adolescência, a advogada Rebecka Martinsson, que vive em Estocolmo e regressa à sua cidade natal disposta a descobrir quem é o culpado. No decurso da investigação conta apenas com a cumplicidade de Anna-Maria Mella, uma inteligente e peculiar polícia grávida. Em Kiruna, muita gente tem algo a ocultar e a neve não tardará a tingir-se de sangue.
A PROTAGONISTA, Rebecka Martinsson, uma advogada que trabalha com a inspectora mais competente da brigada de Kiruna, Anna-Maria Mella. Um dos poucos casos na literatura policial onde as principais protagonistas são mulheres.
A ATMOSFERA de Kiruna envolve-nos por completo. Kiruna é uma povoação rural extremamente fria, onde durante seis meses ao ano fica envolvida pela obscuridade e o efeito que este frio e esta obscuridade tem nas personagens são descritos de forma fascinante.
A GRANDE DOSE DE SUSPENSE que nos oferece o argumento do livro, aumentado pelo solitário e frio da paisagem.
Uma escrita muito especial, enigmática e sugestiva.
 

 

LIVROS - NOVIDADES



O Palácio da Meia-Noite
Carlos Ruiz Zafón    Planeta Manuscrito (Clicar)
Maio de 2013
 
Sinopse
O segundo livro da Trilogia da Neblina.
No coração de Calcutá esconde-se um obscuro mistério...
 
Um comboio em chamas atravessa a cidade. Um espectro de fogo semeia o terror nas sombras da noite. Mas isso não é mais do que o princípio. Numa noite obscura, um tenente inglês luta para salvar a vida a dois bebés de uma ameaça impensável. Apesar das insuportáveis chuvas da monção e do terror que o assedia a cada esquina, o jovem britânico consegue pô-los a salvo, mas que preço irá pagar? A perda da sua vida. Anos mais tarde, na véspera de fazer dezasseis anos, Ben, Sheere e os amigos terão de enfrentar o mais terrível e mortífero mistério da história da cidade dos palácios.

Espero que gostem deste passeio pelo mundo crepuscular de Calcutá nos anos de 1930, onde as sombras da noite são mais espessas do que o sangue.
Carlos Ruiz Zafón

LER UM EXCERTO (Clicar)


 

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17 de junho de 2013

LIVROS - NOVIDADES


A Rapariga dos Seus Sonhos
Donna Leon  —  Planeta Manuscrito (Clicar)
13 de Junho de 2013
 
Sinopse
Numa manhã chuvosa, o Commissario Brunetti e o Ispettore Vianello respondem a uma chamada de emergência sobre o aparecimento de um cadáver a flutuar perto de uns degraus no Grande Canal. Ao estender os braços para puxar o corpo, o pulso de Brunetti é enredado pelo cabelo dourado do cadáver e avista um pequeno pé  —  juntos, Brunetti e Vianello, retiram uma rapariga morta da água. Todavia, por incompreensível que possa parecer, ninguém comunicou o desaparecimento de uma criança, nem o roubo das jóias em ouro que tem na sua posse. Brunetti é atraído para uma busca não só sobre a causa da sua morte, mas também da sua identidade, a família e os segredos que as pessoas estão dispostas a guardar a fim de proteger os filhos  —  sejam inocentes ou culpados.
Desde os canais e os palazzi de Veneza até um acampamento cigano no continente, Brunetti debate-se com o preconceito institucional e a criminalidade acobertada para esclarecer o destino da criança morta.
 

14 de junho de 2013

LIVROS - NOVIDADES


O Jogo do Leão
Nelson DeMille — Editorial Presença
6 de Junho de 2013
 
Sinopse 
O voo transcontinental oriundo de Paris está a chegar a Nova Iorque mas ninguém consegue contactar o piloto via rádio. No voo está Asad Khalil, um dissidente líbio que vai ser recebido pela Brigada Federal Antiterrorista. Mas quando o avião aterra, toda a gente a bordo está morta – à exceção de Khalil, que desaparece depois de atacar a sede da Brigada no aeroporto.O ex-polícia de Nova Iorque John Corey, agora um agente contratado pela Brigada e a sua parceira Kate Mayfield vão seguir um rasto de fumo e de sangue atrás do fugitivo. A presa que perseguem é um inimigo com a astúcia de um homem e a ferocidade de um leão. Para vencer um jogo desesperado e sem regras, terão de forjar uma estratégia que não deixe absolutamente nada ao acaso.
Repleto de um suspense implacável e de reviravoltas surpreendentes a cada passo, O Jogo do Leão é uma corrida vertiginosa contra o tempo e um dos thrillers mais fascinantes de Nelson DeMille.

Crítica
“O seu melhor thriller de sempre.” New York Post
“DeMille é o mestre do thriller inteligente.” Dan Brown
“Lê-se compulsivamente.” Publishers Weekly
“Um thriller incrível!” The Washington Post
“Corey está de regresso. Desta vez, mais forte do que nunca... DeMille mantém o suspense.”St. Louis Post Dispatch
“DeMille acrescenta mais um ponto à sua reputação. Há reviravoltas suficientes na trama para o manter agarrado à leitura e os capítulos contados pelo ponto de vista de Khalil são fascinantes. Em resumo: não vai ser capaz de pousar este thriller cheio de ritmo.” Denver Post



 
 
 
 
 

 
 

12 de junho de 2013

LIVROS - NOVIDADES


Uma Verdade Incómoda
John le Carré — Dom Quixote
Junho 2013
 

Sinopse

Uma operação de contraterrorismo, baptizada com o nome de código Vida Selvagem, está a ser montada na mais preciosa colónia britânica Gibraltar. O seu objectivo: capturar e raptar um importante comprador de armas jihadista. Os seus autores: um ambicioso ministro dos Negócios Estrangeiros e um fornecedor privado de equipamentos de defesa que é também seu amigo íntimo. A operação reveste-se de tal delicadeza que nem o chefe de gabinete do ministro, Toby Bell, tem acesso a ela.
Suspeitando de uma desastrosa conspiração, Toby procura preveni-la, mas é rapidamente colocado no estrangeiro. Três anos decorridos, chamado por Sir Christopher Probyn, um diplomata britânico aposentado, ao seu arruinado solar da Cornualha, e seguido de perto pela filha de Probyn, Emily, Toby vê-se obrigado a escolher entre a sua consciência e o dever para com o serviço.
Mas, se a única coisa necessária para o triunfo do mal é que os homens bons nada façam, como pode ele manter-se calado?


LER EXCERTO (Clicar)

11 de junho de 2013

LIVROS - NOVIDADES

 

Alex Cross — Perigo Duplo
James Patterson — Editora TopSeller
Maio 2013
Alex Cross está de volta. No seu encalço estão agora dois violentos assassinos em série...
Alex Cross desejava uma vida mais calma e rotineira depois de ter deixado a polícia. Quando dois assassinos em série decidem persegui-lo em simultâneo, e lhe deixam pistas após cada novo crime, Cross vê-se uma vez mais envolvido em problemas.
Um deles, conhecido por Assassino Público, dá início a uma série de homicídios complexos e mediáticos, espalhando o pânico por Washington, DC. O outro, Kyle Craig, é um dos seus inimigos mais antigos, que jurara vingar-se do detective e que acaba de escapar da prisão de máxima segurança em que estava há quatro anos.
Alex Cross, o “Caçador de Dragões”, regressa, então, para enfrentar dois criminosos perversos, que não olharão a meios para o derrubar.

LIVROS - NOVIDADES



Cai o Pano — O Último Caso de Poirot
Agatha Christie — Edições Asa
Junho 2013

Sinopse
Hercule Poirot regressa à mansão de Styles, palco do seu primeiro caso. Na casa está reunido um grupo que muito agrada ao Capitão Hastings. O seu choque é, pois, imenso quando Poirot anuncia que, entre eles, se encontra um assassino implacável. Nenhum dos convidados tem perfil de criminoso, muito pelo contrário. Com o passar dos anos, a saúde do detective  deteriorou-se. Será que as suas célebres celulazinhas cinzentas vão desapontá-lo pela primeira vez?
"Cai o Pano: O Último Caso de Poirot" ("Curtain: Poirot’s Last Case") foi originalmente publicado em 1975 na Grã-Bretanha, tendo sido editado no mesmo ano nos Estados Unidos.

LIVROS - NOVIDADES

HOJE NAS LIVRARIAS
Colecção: Crime à Hora do Chá - volume 2



O Estrangulador de Carter Street
Anne Perry — Edições Asa
Junho 2013


Sinopse
O primeiro mistério do casal de detectives Charlotte e Thomas Pitt. Enquanto as irmãs Ellison Charlotte, Sarah e Emily visitam amigos e tomam chá nos melhores salões londrinos, uma das suas criadas é brutalmente assassinada. Para Thomas Pitt, o jovem e pacato inspetor destacado para o caso, ninguém está acima de suspeita. A sua investigação na requintada casa da família Ellison vai provocar reacções  extremas: para uns, será de absoluto pânico; para outros, de deselegante curiosidade; para a jovem Charlotte será algo mais íntimo e empolgante. Algo capaz de levar Thomas a perder momentaneamente o seu instinto detectivesco e a andar com a cabeça nas nuvens. Mas sobre o casal pairam sombras impossíveis de ignorar: Charlotte é uma menina da sociedade e Thomas pertence à classe trabalhadora... e o assassino que atormenta as ruas da cidade continua à solta, implacável.

Anne Perry no Policiário de Bolso (Clicar)

Nota: O Estrangulador de Cater Street foi editado em 2002 pela Editora Gótica na  Colecção Nocturnos.

10 de junho de 2013

BIBLIOTECA FICÇÃO CIENTÍFICA

BIBLIOTECA ESSENCIAL DE FICÇÃO CIENTÍFICA E FANTASIA (108)
Volume 108 — The Fountains of Paradise (1979) Arthur C. Clarke
(é o 4º livro do escritor incluído na Biblioteca, para informações sobre o autor e 1º livro clicar AQUI, para o 2º livro clicar AQUI e para o 3º clicar AQUI )
É na essência, uma obra de Ficção Científica puramente tecnológica (Hard Science Fiction), escrita por um autor que conhece bem a matéria. Narra detalhadamente a técnica de uma obra de engenharia espacial, uma torre orbital de quarenta quilómetros de altura, imaginada pelo génio de um engenheiro do Século XXII, e que une uma montanha de Sri Lanka a um satélite de órbita estacionária, permitindo o acesso ao espaço com um custo reduzido. Simultaneamente põe em causa os inconvenientes da construção, designadamente o carácter sagrado da montanha, filosofando sobre os cultos religiosos e a necessidade do homem conquistar o cosmo.
O livro recebe o prémio Nebula de 1979 e o Hugo de 1980.
 
 
 
Ficha Técnica
As Fontes do Paraíso
Autor: Arthur C. Clarke
Tradução: Mário Rui de Almeida Matos
Ano da Edição: 1990
Editora: Edições 70
Colecção: Orion: Clássicos da Ficção Científica Nº1
Páginas: 223

7 de junho de 2013

RECORDAÇÕES HOLMESIANAS


RECORDAÇÕES HOLMESIANAS (4 - 3ª PARTE)
PASTICHE / PARÓDIA — DR. JOHN H. WATSON: O TERCEIRO HOMEM MAIS PERIGOSO DE LONDRES
De Eric H. Otten


Ilustração de“O Cliente Ilustre”

Ninguém me excedia em admiração, pelo seu valor tranquilo, a habilidade com o revólver e as suas fascinantes qualidades como amigo leal, a minha inclinação por Watson era extrema. Contudo, actualmente parece-me muito possível que fora o pior médico de Londres… e isso numa época que tinha uma boa meia dúzia de médicos incompetentes. Se caíam nas mãos de Watson como pacientes, as espectativas de sobrevivência eram tão más como se se cruzasse no caminho do Professor Moriarty ou do Coronel Moran.
A primeira coisa que sabemos de Watson é que se alistou no exército. A segunda, é que gostava de se levantar tarde. E por que é que um homem que se gostava de levantar tarde se alista no exército? Seria essa a única saída que lhe restava? Naquela época e lugar, a sociedade aceitava que os filhos menores — e os mais inúteis — se alistassem. Só há que dar uma olhadela aos arquivos do British Medical Corps ou, já que estamos com as mãos na massa, a todo o exército durante a I Guerra Mundial, para comprovar esta triste realidade. Ainda se poderá dizer, sem faltar à verdade, que um médico que não sabe se foi ferido na perna ou no braço, não parece digno de muita confiança. A primeira recomendação médica de Watson encontra-se em “O Signo dos Quatro”. Com toda a seriedade adverte Thaddeus Sholto sobre o perigo que representa ingerir mais do que duas gotas de óleo de castor… e recomendou-lhe estricnina em grandes doses como sedativo. Na verdade seria muito sedativo!
Após o seu primeiro casamento, Watson repete uma e outra vez: — Não há problema, posso deixar a clínica por uns dias. É de supor que nunca teve muita clientela. Repare-se, no momento da morte de Mary Morstan Watson, (sem dúvida o marido deve ter-se esforçado por curá-la), mas ainda que essa circunstancia tivesse lugar no período de desaparecimento de Holmes, supostamente morto, não posso afastar de mim a imagem de Holmes acorrendo a uma chamada da doente para que levasse o marido a investigar, enquanto a Srª Watson o saudava da porta. Pensemos um momento: não é estranho que uma esposa incentive o seu marido a colaborar em encontros perigosos? Não parece muito lógico, a menos que haja um motivo ulterior. Recordemos também que o próprio Watson sempre falava escassamente das suas habilidades médicas. Modéstia? Bem, talvez tenha motivos para ser modesto.
Uma pedra angular da minha teoria é o que fez Holmes depois de se descartar do Coronel Moran: a sua primeira acção — proporcionar uma consulta a um parente distante (como disse Watson literalmente). Sabemos que Holmes era cuidadoso com o dinheiro até ao pnto de poupar o tabaco do cachimbo, sem dúvida não realizava um gasto tão importante se não o considerasse necessário para a segurança da saúde de Inglaterra. Passá-lo de segundo homem ao terceiro mais perigoso de Londres era uma progressão lógica para Holmes (acompanhando o pensamento: Moriarty, Moran, Watson).
Que opinião tinha Holmes, de Watson como médico? São poucas as referências deste tipo que se encontram no canon. Porque há algo que nos vem à mente de imediato, “factos são factos”, Watson foi ao cabo o Sr. Watson, não é mais do que um médico de medicina geral com uma experiência muito limitada e umas qualificações médicas. Isto disse ele ao seu velho amigo, melhor amigo. Não deve haver dúvida de que o bom doutor se limita a eliminar do canon todas as referências óbvias às suas limitações médicas, porém não pode alterar as\suas implicações nos casos. Em nenhum momento das aventuras exerce como médico de Holmes. Só em duas ocasiões descobrimos o detective sob o cuidado de um médico: em “O Pé do Diabo”, o médico de Holmes é o Dr. Moore Agar; foi durante o decurso desta aventura que quando Watson pretendia receitar a um Holmes convalescente um dos seus remédios, que já haviam matado duas pessoas e enlouquecido outras. Um autêntico alarde de valor e espirito aventureiro, mas não de perícia médica com certeza. Na narrativa “O Cliente Ilustre”, quando Holmes é vítima de uma grande contusão, o seu médico Sir Leslie Oakshott trata Watson, não como colega médico, mas como grande irresponsável. Quando Holmes em “O Detective Moribundo” quer enganar um médico, para que acreditem que está prestes a morrer, elege — de entre todos os médicos de Londres — o dr. John H. Watson. E que dizer do já bastante referido Sr.Watson? Obviamente não viu o suficiente para ser, mais uma vez, uma referência…
Não, nos talentos do famoso agente literário de A. C. Doyle, não se incluem a prática de medicina. Se tivesse tido mais pacientes teríamos menos casos narrativos de Holmes! Haverá maior tragédia?
(in Baker Street Journal, vol 25, nº3)
Organização e tradução de M. Constantino

6 de junho de 2013

RECORDAÇÕES HOLMESIANAS

RECORDAÇÕES HOLMESIANAS (4 - 2ª PARTE)
PASTICHE / PARÓDIA — A SINGULAR HISTÓRIA DE M.me BOVARY-WATSON
De Joel Lima
O autor é, sem qualquer hesitação, o mais profundo conhecedor holmesiano português. Teve meios, inteligência, cultura e entusiasmo para estudar e escrever o que de melhor existe no país sobre as excentricidades dos homens de Baker Street 221B.
Mais uma vez, com a devida vénia e gratidão publicamos um pastiche, extraído do seu ensaio (2 volumes) “As Vidas Paralelas De Sherlock Holmes” e no fanzine castelhano “Las Notas del Violin”, nº4, de 1992.
 
M. Constantino
Tanto se tem dito e escrito sobre as Sagradas Escrituras, em geral, e a primeira Mrs. Watson em particular, que brada aos céus o desconhecimento da sua enorme influência no desenrolar da Saga. E, no entanto, para quem quiser ver, os textos de John H. Watson, M. D., falam como gente.
Mary Morstan era uma rapariga loura, magra, que vestia com elegância. Tinha grandes olhos azuis e a sua sensibilidade e inteligência souberam despertar em Watson uma paixão fulminante.
A certa altura o médico acompanha Mary a casa. Partem em Julho e chegam numa tarde enevoada de Setembro. E, no entanto, tão rápida é a passagem dos tempos felizes que, para Watson, tudo decorre num só dia. Que se passou entretanto? O inevitável, quando dois jovens se apaixonam loucamente: Sem ligarem a preconceitos, John e Mary decidiram não esperar por uma legalização demorada. E foi naquele dia de 1888, em que o calendário quase saltou do solstício para o equinócio, que consumaram a sua união.
Quando recolheram a uma alcova de fortuna. Watson, impenitente marialva, quis provar àquela angelical criatura toda a experiência mulherenga, recolhida em muitas nações e três continentes que fazia dele um amante de eleição, inventivo e de alta perícia. Para Mary, ingénua virtuosa, até aí consciente desse papel, aquela primeira noite — marcante como é dos livros — foi o abrir das portas de um Paraíso insuspeitado. De menina um tanto sensaborona passou, sem transição, a mulher provocante e sensual. No dia seguinte quis o mesmo ou mais e, depois, tornou-se insaciável.
Watson habituou-a mal. Jovem, fogoso, teve engenho e força para lhe alimentar, durante aqueles três meses, os anseios constantes, iniciando-a em fantasias cada vez mais requintadas.
Mas mesmo as maiores vertigens têm de ceder, mais tarde ou mais cedo, às realidades comezinhas. As economias de Watson esgotaram-se e os dois amantes viram-se forçados, como Adão e Eva, a abandonar o Paraíso para que, pelo menos um deles, ganhasse a vida com o suor do seu rosto.
John era cavalheiro, e não deixou a menina no embaraço. Após um curto noivado para satisfazer conveniências, os dois pombinhos deram o nó. Foi, como tantas vezes acontece, o princípio do fim. Mary caía da exaltação do pecado na rotina cinzenta do matrimónio.
Watson, aliás, presumira das próprias forças e sobrevalorizara a sua capacidade de amante. No dia do casamento, não passava já de um guerreiro alquebrado que, tendo dado o seu melhor no campo de batalha, apenas aspirava ao repouso.
Além disso, andava assoberbado: não só tinha de dedicar grande parte do seu tempo à clínica porque era preciso fazer face às despesas acrescidas do seu novo estado — como começou a ser bombardeado, de novo, por apelos de Sherlock Holmes que, a abarrotar de solicitações nessa época, se sentia pouco à vontade sem o seu Boswell. Começaram as deserções conjugais do bom doutor, aliás bem recebidas porque o afastavam do vendaval erótico que o esperava, quotidianamente, sem sinais de acalmia, mal abria a porta de casa.
Mary Watson, a princípio, suportou as escapadelas do marido, as suas frequentes dores de cabeça, as desculpas fornecidas pela bala afegã que umas vezes lhe imobilizava o ombro e, de outras, a perna. Mas o vulcão que Watson imprudentemente havia despertado, estava longe de se extinguir; bem pelo contrário, a lava do desejo acumulava-se e era inevitável uma explosão krakatónica.
Na “Liga dos Ruivos”, Holmes, como era seu costume, declama, à laia de epílogo, uma tirada erudita, desta vez extraída de uma carta de Gustave Flaubert a George Sand. Watson, que não era taquígrafo, tomou nota errada da citação e atribuiu à pena de Flaubert a frase L'homme c'est rien — l'oeuvre, c'est tout quando o bom Gustave havia escrito L'homme n'est rien  — l’ oeuvre, tout. Os leitores debitaram o lapso ao detective e Holmes, ainda picado pelos injustos remoques do doutor a propósito da sua cultura geral, resolveu prevenir recidivas, oferecendo ao amigo as obras completas do grande escritor francês. Mary ficou encantada; entrava-lhe porta dentro o remédio para as longas e entediadas horas que passava, sozinha, a ansiar pelo regresso do seu senhor e amo. Devorou, de um fôlego, “Madame Bovary” e, num arrebatamento de irrecuperável romântica, sentiu-se retratada de corpo inteiro na heroína.
O seu destino ficou traçado e o de Watson também O primeiro amante de Mary terá sido o Dr. Anstruther, a quem o fiel biógrafo confiava os doentes e os destinos da clínica, sempre que ocorria aos chamamentos de Holmes.
Quando surge nova hipótese de deslocação, Mary é já a primeira a aconselhar o marido a partir com o pretexto de que andava com mau parecer (pudera!) e de que a mudança de ares lhe faria bem. “Anstruther pode substituir-te como já tem feito em outras ocasiões” , diz ela cinicamente, ciente de que a substituição não se confinava ao gabinete de consultas.
Mas, lançada como estava, Mary não podia ficar-se por um só amante. Em vez de (ou, mais provavelmente. em acumulação com) Anstruther, despontaram outros paladinos com que Mary procurou reeditar a exaltação da primeira noite.
Com o correr dos tempos, a prática tornou-se rotineira e Mary foi relaxando as cautelas tidas, de início, para ocultar as suas leviandades. Aliás, já não lhe bastavam os tempos livres deixados pelos afazeres profissionais e pelas andanças, detectivescas do marido. E, nas “Cinco Pevides do Laranja”, para conseguir uns dias de idílio paralelo, pretexta uma suspeitosa visita à mãe (versão do Strand, de Novembro de 1891) ou ã tia (emenda introduzida nas “Aventuras”, quando publicadas em livro), esquecendo-se de que, antes de casar, havia assegurado a Holmes e ao futuro marido que a mãe morrera e não tinha parentes em Inglaterra.
Antes de se iniciar a “Aventura do homem do lábio torcido” Mary comete a gaffe tradicional da mulher apaixonada que não consegue afastar do espírito o nome do amante de serviço — e chama “James” ao marido.
Watson, revelando-se digno exemplar do clássico esposo enganado, não se apercebeu das implicações do lapso e levou o caso para a brincadeira. Horas depois, a caminho de Lee, no Kent, contou o pitoresco incidente a Holmes, entre duas gargalhadas.
O detective não riu; a mudança que havia observado em Mary, aliada àquela esquisita troca de nomes, puseram-lhe a pedra no sapato. E logo decidiu investigar por sua conta, com a discrição necessária para não alarmar o amigo. O acaso veio em seu auxílio. Por essa altura, o assunto proposto pelo major Prendergast levou-o ao Clube Tankerville, aí pôde provar que o major fora vítima de uma cabala urdida pelo coronel Sebastian Moran, membro do mesmo clube.
Rancoroso, o coronel, vendo-se descoberto, trocou palavras azedas com Holmes. Grande detective? Qual carapuça! Dizia-se amigo íntimo do Dr. Watson e nem sequer descobrira que Mrs. Watson enganava o marido. E, no entanto, a fulana, naquele mesmo momento, estava a curtir pecaminosas delícias nos braços de James Moriarty, seu colega da tropa e mano do patrão.
Foi a primeira vez que Holmes ouviu faiar daquele que iria tornar-se o seu grande e obsessivo inimigo. O personagem era de tal envergadura que, a breve -trecho, Holmes se esqueceu do James-coronel para se dedicar de alma e coração ao James-professor.
Um recado de Mary trouxe-lhe de novo ao espírito o, drama de Watson. Moriarty, desesperado pelas intromissões importunas de Holmes, concebera um diabólico plano. Pelo irmão coronel comunicou a Mary que, se não fizesse parar o detective, a sua leviandade séria exposta ao marido e, o que era ainda pior, às suas amigas de círculo. Mary teve, assim, de buscar ajuda junto de Holmes. “Não posso ir a Baker Street”, escreveu na mensagem angustiada que enviou ao detective, “porque a minha presença despertaria as suspeitas de Mrs. Hudson e chegaria aos ouvidos do meu marido. Por favor, Mr. Holmes, venha ver-me sem que o John saiba”.
E foi assim que Watson se viu despachado para Dartmoor, no início do caso dos Baskervilles. Holmes, segundo pretextou, não podia sair de Londres porque andava ocupado com um caso de chantagem de que era vítima uma pessoa que muito reverenciava — admirável meia-verdade bem digna do Grande Homem.
A entrevista com Mary começou em tom de harmonia. Holmes deu bons conselhos à rapariga e prometeu-lhe uma solução feliz, se ela acabasse com os desvarios extraconjugais. Mary sentiu-se reconfortada e relaxou — o que era perigoso para qualquer macho que estivesse por perto. As horas foram passando e o detective ficou para o chá — e depois, para o jantar. Com a ajuda da garrafeira de Watson, Holmes começou a pensar no seu longo jejum de frivolidades e a sentir certa urgência em pôr-lhe termo. Mary pediu licença para ir vestir, qualquer coisa de mais confortável — e que, na circunstância, era um negligée transparente importado de Paris.
Aconteceu o que era de esperar. Quando Holmes vai finalmente a Dartmoor, não tem coragem para encarar Watson à luz do dia. Aparece-lhe, furtivamente, envolto nas sombras da noite e assim se mantém, durante uns dias, a ganhar atento para fitar o amigo nos olhos.
Moriarty, entretanto, não abrandara a pressão sobre Mary e despachou o irmão para Kensington em missão de reconhecimento; a adúltera mantinha um fraquinho pelo coronel e, entre duas volúpias, contou-lhe o que sucedera com Holmes. O Professor rejubilou; o detective, num momento de desvario, dera-lhe a arma com que poderia neutralizá-lo. E, chamando-o ao seu antro, Moriarty disse-lhe o que sabia e ensaiou nova chantagem: ou o detective entrava para a quadrilha ou Watson conheceria a traição do amigo.
Herói de novela até ao fim, Holmes recuou, “aconteça o que acontecer”. Mas o golpe havia atingido o alvo e Sherlock vagueou, sem destino, durante uns tempos. Quando, cosido às paredes, volta a Baker Street, como um cão acossado, estamos já em pleno “Problema Final”.
Moriarty foi ainda ao 221-B, numa última tentativa para convencer o detective.
“— Sabe com certeza ao que venho, Holmes.”
“— Sabe, com certeza, qual é a minha resposta, Professor”.
Se mantém galhardamente a sua posição de cavaleiro andante dos tempos modernos, Holmes nem por isso deixa de recear o que pode acontecer, na segunda-feira seguinte, quando a Polícia deitar a mão ao bando de Moriarty. Se Watson estivesse por perto, o Napoleão do Crime, desesperado e sem nada a perder, era capaz de dar com a língua nos dentes, expondo o opróbrio de Holmes ao marido ultrajado, na presença de meia Scotland Yard.
Mais valia não correr riscos; urgia afastar Watson de Londres. E Holmes, contra o que seria natural, renuncia a assistir ao maior triunfo da sua carreira e arrasta o amigo numa fuga insensata em direcção ao Canal.
Pecou, no entanto, por soberba e esqueceu lamentavelmente a força do adversário. Falhado o plano A, Moriarty tinha, de reserva, um outro que pôs em prática desde que Holmes recusou, em definitivo, a sua oferta de emprego. Nessa mesma noite, Watson com provas na mão, foi posto ao corrente do seu infortúnio e da traição de Holmes. Foi como se, sob os pés, se lhe abrisse um abismo premonitório. E, sem mais delongas, na sanha de se vingar do falso amigo, fez um pacto demoníaco com Moriarty. Seria a sombra de Sherlock, não o perderia de vista nem um minuto e manteria o Professor ao corrente das andanças do detective para que, no momento certo, justiça fosse feita.
Holmes, receoso, troca as voltas a Moriarty e o Napoleão do Crime, sozinho e enganado, jamais descobriria o rasto do detective se Watson lhe não enviasse, metodicamente, relato fiel dos ziguezagues que os fugitivos ensaiaram sobre o mapa do Continente. A última mensagem de Watson foi expedida de Meiringen: “Amanhã, às tantas horas, vamos visitar a Catarata. Alea jacta est”.
Fora combinado que Watson estaria presente na cena final. O Professor, desabituado de lidar com armas de fogo (era Moran que fazia o trabalho “sujo”), precisava do doutor e do seu revólver de ordenança para garantir o êxito do massacre.
Só que Watson, farto de ser enganado, adquirira uma esperteza até aí insuspeitada. Se viesse sozinho anunciar a morte de Holmes, alguém que soubesse da traição do amigo, seria tentado a apontá-lo como suspeito de homicídio passional. Por isso, arranjou a artimanha da mensagem fictícia que o chamaria ao albergue a tempo de conseguir um álibi à prova de fogo: quando Holmes morresse, estaria ele a falar com o estalajadeiro. E Moriarty que se aguentasse sozinho.
Posto perante uma situação que não esperava. Moriarty enfureceu-se. E antes de travar com Holmes um corpo-a-corpo de recurso, lançou-lhe com toda a peçonha da aranha que avança para a presa: “Escusas de contar com o teu amigo. Ele é mais esperto do que tu ou do que eu. Sabe que dormiste com a mulher e combinou comigo a melhor forma de te liquidar. Mas, à última hora, pôs-se a milhas para evitar complicações”.
O duelo teve o fim consabido exit Moriarty. Holmes, sozinho, ficou a contas com a sua consciência. Não sentia coragem de enfrentar um homem que havia atraiçoado e que, sabendo-o, o atraiçoara por seu turno. A chaga estava viva e um reencontro imediato teria resultados imprevisíveis; seria melhor para ambos que Watson o julgasse defunto. Rabiscou, à pressa, uma nota de adeus, entalou-a debaixo da cigarreira e partiu, sem rumo, para um destino incerto.
Livre do infame sedutor, faltava a Watson punir a esposa infiel. Ao regressar a Londres, esperava-o uma surpresa. O coronel Moriarty, se saiu à estacada em defesa do irmão defunto, não se descoseu quanto às aventuras adulterinas de Sherlock Holmes. Era natural; estava noivo de uma filha-famílias podre de rica e receava que o seu envolvimento no caso não fosse do agrado dos futuros sogros. E, num estranho acordo de cavalheiros mesclado de conspiração do silêncio, de parte a parte ninguém abriu o bico.
Começou, então, a segunda parte da vingança de Watson, que fez apelo ao que lhe restava dos ensinamentos recebidos na Faculdade. Mary começou por sentir-se indisposta, depois teve vómitos, mais tarde acamou. Pouco restava da ninfomaníaca loura dos tempos áureos. O final chegou, sem alardes, em certa madrugada fria — e Watson passou a certidão de óbito.
A notícia da morte de Mrs. Watson chegou a Holmes, quando estava em Montpellier, a gastar a última mesada expedida por Mycroft. Aquilo não era vida de futuro e, além disso, estava farto de comer coxas de rã e escargots de Bourgogne.
Morta Mary, talvez a fúria de Watson se tivesse acalmado, Holmes regressou a Londres, prudentemente disfarçado. Seguiu Watson durante uns dias e verificou que o amigo voltara à sua vida de boémio impenitente. Não há nada para fazer esquecer a traição da mulher própria, como fazer amor com as mulheres dos outros. Watson estava, portanto, curado.
Uma investigação sumária permitiu a Holmes descobrir a verdade sobre a morte de Mary Watson. As últimas preocupações dissiparam-se; Johnson podia reencontrar Boswell.
Quando, em Park Lane, Watson tropeçou com um velho encurvado, não foi  “A origem do culto da árvore” que apanhou do chão. Todos os livros tinham o mesmo título que lhe gelou o sangue nas veias: “Othello”.
O alfarrabista voltou a aparecer nessa noite; apresentou-se em casa do médico e propôs-lhe a compra de cinco volumes anódinos. No entanto, quando Watson olhou para os livros, viu, nos cinco, uma vez mais, o título acusador: “Othello”! Branco como a cal da parede, voltou-se para pedir explicações e, no lugar do deformado ancião, deparou com Holmes que o fitava com um sorriso sardónico. “Levantei-me”, confessa o doutor “olhei-o, embasbacado, durante alguns segundos e, depois, devo ter desmaiado pela primeira e única vez na vida”.
Era inevitável; Watson fora fulminado, simultaneamente, por duas catastróficas surpresas: a aparição do homem que ajudara a matar e a certeza de que esse homem conhecia o seu terrível segredo.
O crime de Watson, no entanto, restabelecera o equilíbrio de forças entre os dois ex-rivais. Othello e o sedutor de Desdémona já nada tinham que recear, um do outro; as suas culpas anulavam-se reciprocamente. E, embora sem a candura dos velhos tempos, a convivência restabeleceu-se, cimentada, agora, pelo conhecimento mútuo de que ambos tinham iguais pesos nas consciências.
Podia acontecer o resto da Saga, com vantagens para os dois parceiros: Holmes assegurava os serviços de um operador publicitário e restabelecia a mesma situação de outrora, indispensável para reconquistar a confiança dos clientes; Watson garantia a sobrevivência, como narrador das aventuras que faltavam, sem ter de reler os de há muito esquecidos tratados de Medicina que se cobriam de pó na estante.
O biógrafo, no entanto, era gato escaldado. E, quando lhe apareceu a hipótese de segundas núpcias, disse adeus a Holmes e, pelo sim, pelo não, foi instalar-se em casa própria para as bandas de Queen Anne Street ocultando a mulher de tal forma que Holmes nem chegou a saber quem era — o que levou o detective a registar, com amargura, que Watson havia traído o pacto tácito firmado em 1894.
Desgostoso, Holmes nem por isso deixara de ser um cavalheiro. A infidelidade — única na sua vida — ainda lhe remoía e quis dar ao amigo a prova suprema de que os seus receios eram totalmente infundados.
E, num belo dia, pegou no Stradivarius, no “gasogéneo” e na chinela persa e foi para longe, criar abelhas.
Os anos passaram. Watson, com a fortuna da última esposa, assegurou uma reforma antecipada e confortável (entrecortada pelo episódico relato de uma que outra aventura remota, para “manter o jeito”) e Holmes foi vivendo a sua existência de apicultor eremita.
O último episódio ligado à memória da infeliz Mary Morstan ocorreu quando a Saga estava já em estertor.
O Coronel James Moriarty iniciara uma carreira política que prometia. Ajudado pelo sogro, sólido baluarte da nobreza saxónica, entrou para o partido do Governo, conseguiu um bom lugar no Estado-Maior e começou a sonhar com mais altos voos. Só que as coisas não aconteciam com a rapidez que ele queria e o velho era forreta. Preparava-se o vendaval de 1914 e o coronel, ambicioso e a precisar de suporte urgente para a sua propaganda pessoal, meteu-se em negócios escuros. A espionagem do Kaiser estava muito activa e ansiosa por saber coisas acerca da defesa aeronaval da Ilha. Um dos agentes, americano de nascimento que usava o pseudónimo “Jack James”, foi encarregado de contactar uma personalidade vulnerável com acesso fácil aos segredos militares; o código que utilizava, na altura, para transmitir mensagens aos seus chefes, muito adequadamente empregava nomes de pássaros para designar aviões de guerra e termos ligados à vida do mar, quando bolia com a defesa da costa. “Farol” correspondia a “sinalizações navais” e “corvo marinho” a certo tipo de “aeroplano”, ainda em fase experimental; quando o projecto fosse aprovado para fabrico, o “corvo marinho” passaria a considerar-se “amestrado”.
Na “Sua Última Vénia”, Holmes teve ocasião de neutralizar “Jack James” e o seu chefe Von Bork e apreendeu os dossiers deste último, entre eles os que continham o fruto do labor do subordinado acerca de “aeroplanos” e “sinalizações navais”.
Faltava descobrir qual o político que havia prestado as inconfidências aos agentes do Kaiser.
Holmes meteu mãos à obra, mas o assunto era delicado; o pseudónimo de “Jack” deu-lhe uma pista — o apelido “James” designava o nome da principal fonte de informações do espião. Não foi difícil a Holmes localizar a nascente daquele Nilo de traições e chegou, assim, a James Moriarty; o homem, na altura, estava alcandorado a posição de grande destaque na vida pública britânica e rodeado de muitos bastiões influentes que tratara de reforçar quando soubera da prisão dos cúmplices. A política tem razões que o patriotismo no compreende e Holmes viu-se forçado a meter na gaveta as provas tão laboriosamente obtidas contra o mano do seu defunto inimigo.
O coronel é que não estava descansado; um tal libelo nas mãos de um homem como Holmes era uma ameaçadora espada de Dâmocles, capaz de, a qualquer momento, lhe desfazer os sonhos mais queridos.
Nos finais de 1926, contratou homens de mão para roubar o dossier, mas o golpe falhou. Em desespero de causa, James Moriarty lembrou-se da sua amante de outrora e, com certa timidez, fez saber que a infidelidade de Mary Watson podia vir à luz do dia coisa que não perturbou sobremaneira nem o marido ultrajado, que já se vingara e esquecera essas águas passadas, nem o fortuito apaixonado de uma noite que estava todo entregue às suas abelhas e ao seu reumatismo.
Com o consentimento do detective, Watson decidiu informar sibilinamente o coronel de que as pressões não teriam qualquer impacto e que, a continuarem, as pretendidas vítimas se converteriam em algozes e revelariam à opinião pública quem era o “político” comprometido com o “farol” e o “corvo marinho amestrado”.
A publicação do aviso na “Hóspede Velada” foi remédio santo. James Moriarty, aterrado, compreendeu que os adversários dispunham duma arma contra a qual de nada valiam compadrios e encobrimentos. E antes que lhe caíssem em cima os milhões de ingleses que devoravam as “Aventuras”, cancelou os planos maquiavélicos e refugiou-se, também ele, numa reforma sem história.
Na campa esquecida de Mary Morstan Watson, podia inscrever-se finalmente: Requiescat in pace.