6 de agosto de 2016

A NÃO PERDER




Fonte: Diário de Notícias


TEXTO PUBLICADO NO CALEIDOSCÓPIO 316 (Clicar)


TEMA — ESTUDOS DE LITERATURA POLICIÁRIA — DICK HASKINS, AUTOR E PERSONAGEM
Por M. Constantino

 
Fonte: Diário de Notícias 2/Mar/2009
 
Nascido em Lisboa em 1929, de nome António Andrade Albuquerque, estudou no liceu Passos Manuel, onde demonstrou a sua inclinação para a produção literária. Frequentou o curso de Medicina, que abandonou pela profusão de escritor. Entre contos e argumentos de aventuras, escreveu o romance “Sono de Morte” aprovado em 1955 pela editora Diário de Notícias. O passo decisivo para a consolidação profissional só se verifica em 1958, ano da publicação daquele livro e de “A Sétima Sombra”, cujo personagem principal é exactamente Dick Haskins — o pseudónimo do autor — um anglo português, descendente de um inglês e de uma portuguesa. Tem 1,80 metros de altura, cabelos pretos e olhos castanhos. Advogado e repórter chefe da secção de criminologia do jornal Times, é habitualmente de trato fácil mas mordaz e irónico, corajoso e de extrema bondade. Detective amador, tem muitos amigos na Scotland Yard — dos quais o principal é o inspector Robert Wells — uma eterna noiva em Kathy Oughton e uma secretária fiel em Patricia Arden.
Haskins, ou antes Albuquerque, passou a escrever dois ou três romances policiários anualmente. Sucessivamente “Porta para o Inferno”, “ O Isqueiro de Ouro”. A minha Missão é Matar”, “Espaço Vazio”, em 1959, o “Fio da Navalha” e “Premeditação” em 1960”, “Hora Negra” e “O Fim de Semana com a Morte” em 1961, “Obsessão” em 1962. “Quando a Manhã Chegar” e “O Último Degrau” em 1963, “ O Minuto 180” e “A Noite Antes do Fim” em 1964, “Suspense” em 1965, “O Jantar é às Oito”, “Clímax”, Psíquico”, “Labirinto” e “A Embaixadora” respectivamente em 1968, 1969, 1970, 1971 e 2000. Estes livros foram, e ainda o são, traduzidos e editados em cerca de 30 países.
O autor criou uma editora, tendo mantido durante dez anos cinco colecções mensais: policial, espionagem, ficção científica, romance e história. Editou igualmente uma antologia de contos policiais em dezoito volumes, nos quais publica não só diversos contos próprios como estrangeiros.
Produziu para a RTP um programa “Noite de Teatro” com a adaptação do seu livro “O Fim de Semana com a Morte”, cuja novela foi levada à tela numa produção internacional — Portugal, Espanha, Alemanha — protagonizada por António Vilar, dobrada posteriormente em diversos idiomas.
Para a RTP, com produção externa, produziu uma série de 12 filmes baseados na sua obra. Em nome próprio publicou dois romances “O Papa que Nunca Existiu” e “O Expresso de Berlim, ambos publicados em 2007.
Em Maio de 2008 foi-lhe atribuída a Medalha da Sociedade Portuguesa de Autores.

Albuquerque, meu Ilustre Amigo, aguardamos para prazer literário, a volta de Dick Haskins — o personagem e o autor.

M. C.






22 de junho de 2016

LIVROS - NOVIDADES



O Raparigas Esquecidas
Sara Blædel — Topseller (Clicar)
Tradução: João Reis
Título Original: De glemte piger (2011)
Junho 2016
Distinguido em 2015 com o Gyldne Laurbaer, um importante prémio literário  da Dinamarca, que é atribuído pelos livreiros desde 1949. 


Sinopse
Através de uma narrativa envolvente, vertiginosa e de forte impacto emocional, Sara Blædel não deixa o leitor descansar enquanto não chegar ao fim do livro.
Numa floresta da Dinamarca, um guarda-florestal encontra o corpo de uma mulher. Marcada por uma cicatriz no rosto, a sua identificação deveria ser fácil, mas ninguém comunicou o seu desaparecimento e não existem registos acerca desta mulher. 
Passaram-se quatro dias e a agente da polícia Louise Rick, chefe do Departamento de Pessoas Desaparecidas, continua sem qualquer pista. É então que decide publicar uma fotografia da misteriosa mulher. Os resultados não tardam. Agnete Eskildsen telefona para Louise afirmando reconhecer a mulher da fotografia, identificando-a como sendo Lisemette, uma das "raparigas esquecidas" de Eliselund, antiga instituição estatal para doentes mentais onde trabalhara anos antes. 
Mas, quando Louise consulta os arquivos de Eliselund, descobre segredos terríveis, e a investigação ganha contornos perturbadores à medida que novos crimes são cometidos na mesma floresta. 

Crítica
"Sara Blædelestá sem dúvida entre os melhores."
Camilla Läckberg

"Sara Blædel é incrivelmente talentosa em manter o leitor preso ao livro mesmo quando este preferiria desviar o olhar nas cenas mais gráficas. Recomendado para fãs de Camilla Läckberg."
Library Journal 

"Uma protagonista inteligente que luta contra os seus próprios medos e defeitos, numa história contada de forma muito hábil, ao estilo negro do thriller nórdico."
Booklist 

"Consegue descrever crimes terríveis de modo absolutamente genial e envolvente. Um realismo intransigente que revela o thriller no seu melhor."
The Washington Post

18 de junho de 2016

6º EPISÓDIO (FINAL) - O RETIRO DO QUEBRA BILHAS de A. RAPOSO

 Um desfecho imprevisível


A situação parecia estar complicada. O marido a chegar a casa e encontrar na cama com a mulher um tropa.
 Costa só veio a saber que Sesinando era tropa depois da Milú ter contado a história toda de uma ponta à outra.
 Costa continuava com a mala na mão, a ouvir a história, contada pela Milú, enquanto o alferes Sesinando, encolhido, quase desaparecia por entre os lençóis.
 Costa, posou a mala, finalmente e afirmou:
 − Vamos lá resolver o caso. Se houve mergulho no lago tem que haver roupa molhada dos dois. Se isso se confirmar a história está verosímil e eu até posso ir ao Lago do Campo Grande confirmar o acidente. Não vejo nada de mal na história mas já agora gostaria de saber quem é o senhor que se meteu na minha cama. Isto é se não se importam e se não incomodo!
 O alferes apresentou-se:
− Apresenta-se o alferes Sesinando, 3ª companhia dos Comandos da Amadora. A história que a menina Milú acaba de contar é perfeitamente verdadeira e a minha relação com ela tem sido do maior respeito. Convidei-a para dar uma voltinha de barco na melhor das intenções. Desembarquei ontem do navio que me trouxe de volta ao puto. Amanhã entro na peluda. Isto é, fico livre da tropa.
Isto tudo tem a ver com o meu saudoso gosto por iscas com elas e recomendaram-me a casa de pasto O Retido do Quebra Bilhas, não sei se conhece…



Costa sentou-se na cama e retrocou:
− Não conheço eu outra coisa. Cheguei agorinha de Cabo Verde e estava a pensar ir lá comer um cozido. Hoje é dia. Meu caro amigo, fazem lá um cozido de estalo!

Fonte: Loja Cão Azul

Sesinando acrescentou: 
− Acontece que tenho a roupa toda molhada e só lá para a tarde é que fica seca…
− Ó MIlú vê lá se arranjas aí um fato meu, velho, que lhe sirva e mais o resto da roupa. Que número calça o meu alferes?
− 41. Biqueira larga.
− Óptimo, eu calço 42. Fica-lhe a crescer um pouco mas não caem dos pés! Vamos lá então todos almoçar que já estou cá com uma larica…

Dali ao retiro do Quebra Bilhas era um pulinho. Até servia para abrir o apetite.
E lá foram os três mais o canito almoçar ao Quebra Bilhas.

Fonte: Blogue Restos de Colecção



Campo Grande anos 60
Fonte: Pinterest



Campo Grande/Av. Brasil
(perto do extinto Quebra Bilhas)
Foto Onaírda






Sobre o Quebra Bilhas 2 (Clicar)

FIM

11 de junho de 2016

5º EPISÓDIO - O RETIRO DO QUEBRA BILHAS de A. RAPOSO


Ainda no Lago do Campo Grande

O alferes Sesinando, a menina Milú e o canito Lanudo boiavam no Lago do Campo Grande com grande espalhafato. O barco voltara-se e os remos escaparam-se.
Os tripulantes dos outros barquinhos tentavam aproximar-se e salvar os náufragos.

Lago do Campo Grande. Fonte: Diário de Notícias


Milú gritava, o cão gania e o alferes tentava puxá-los para terra.
A queda na água não chegava para afogar ninguém, mas a roupa essa ficava completamente encharcada e a colar-se ao corpo. Um casal em terra sorria.
O encarregado dos barquinhos rapidamente foi buscar os três náufragos e levou-os para uma casinha ao lado da bilheteira onde lhes forneceu umas mantas.
O alferes Sesinando culpava-se e pedia desculpa pelo banho forçado mas nada podia modificar. O que estava feito, estava feito. Milú pediu ao encarregado para chamar um táxi e convidou o alferes para ir também.

Taxi Anos 60. Fonte: http://portalclassicos.com/

E lá foram os três embrulhados em finas mantas até à Av. De Roma.
 Chegados ao 1º andar, Milú indicou ao Alferes uma casa de banho. E desenvolta acrescentou: Depois do banho deite-se na cama enquanto eu vou arranjar no roupeiro uma roupa do meu marido que talvez lhe sirva, pelo menos enquanto a sua seca. Eu também vou na outra casa de banho. Esteja à vontade.
 O alferes até nem tinha alternativa. Estava encharcado até aos ossos e  os sapatinhos novos, de verniz, estavam uma desgraça. Pensou se o marido da Milú não teria também uns sapatinhos tamanho 41… já agora, se não incomodasse muito… pensou e sorriu!




Assim que se lavou e limpou correu para o quarto da Milú e meteu-se entre os lençóis, obviamente como viera ao mundo. Já estava quase a passar pelas brasas quando surgiu a Milú também sem roupa e correu metendo-se na cama ao lado do alferes.

Milú retirou um braço de dentro dos lençóis e apontou ao alferes:

Meu amigo, nada de intimidades. Somos só amigos. Ponto final.

O Alferes Sesinando sorriu e fechou os olhos. Que mais lhe haveria de acontecer?
Cinco longos minutos se passaram. Num silêncio profundo que pairava no ar alguém meteu a chave à porta.
Lanudo correu ladrando farejando algo.
O Sr. Costa surgiu no quarto, de mala de viagem na mão, chave na outra e um olhar basbaque. Abriu a boca estupefacto e balbuciou:

 Mas o que é que se está aqui a passar?

O cão veio abanar a cauda e ladrar ao dono, feliz.
O Sr. Costa é que não parecia muito agradado.  
                       
 (fim  do 5º episódio)